Açougueira e suas conquistas

Eita que 2025 foi um ano duríssimo, mas no final trouxe uns bons respiros em relação ao trabalho. Comecei o ano sem editora e sem perspectiva, quase engavetando o romance por falta de fôlego para seguir em frente sozinha. Se com editora já é bem complicado, sem me parecia impossível. Mas pra ser mulher e escritora no Brasil a gente tem que ter certa dose de teimosia e resolvi teimar. Ainda bem. Hoje consigo ver o livro circulando mais, chegando em mais gente e me surpreendendo. Fui do jeito que pude ir. Devagar e sempre. E não me arrependo. A caminhada nos prêmios ajudou muito o livro a ganhar uns respiros e espaços. Eu sempre lamento que os prêmios sejam as grandes vitrines das pessoas escritoras independentes, primeiro porque os prêmios são recortes muito subjetivos e complexos (algumas vezes injustíssimos e pouco transparentes), e segundo porque precisamos de políticas públicas pro setor, para que realmente possamos movimentar a cena literária de maneira mais democrática e acessível e abrir espaço pra quem escreve para além das bolhas. Ressalva feita, inscrevi Açougueira em tudo quanto foi prêmio, na tentativa de ver o livro sendo lido, nem que fosse pelas bancas dos certames. Não se se foi lido em todos (alguns desconfio que não, dada a quantidade de livros inscritos e o tempo para a comissão de júri ler), mas arriscar foi bom mesmo com todas as críticas e estranhezas que rondam as premiações. Açougueira ficou finalista do prêmio Minuano de Literatura e venceu os prêmios Loba, Academia Rio-Grandense de Letras e Cruz e Souza (2º lugar romance nacional). E esse movimento todo tem feito o livro dar uma arejada, ser mais buscado nas plataformas, mais lido e comentado. Um livro que estava quase perdido, de repente ganhou uma vida a mais. Imagina se tivéssemos, para além dos prêmios, políticas públicas sérias para o setor? Os prêmios seriam apenas uma opção, mais uma possibilidade, perdendo a centralidade e quem sabe até melhorassem um tanto nas suas execuções. Ah, vale ressaltar ainda que o Cruz e Sousa tinha uma premiação em dinheiro, coisa tão rara e necessária, porque é um tempo pago que ganhamos, pra ser investido na escrita e consequentemente na vida, ou o contrário. Agora o desejo é que Açougueira, quem sabe, consiga nova casa editorial e possa circular mais, acho que ainda tem potencial pra chegar em mais gente, ainda é um livro que circula pouco, apesar dos respiros, muito porque sozinha eu tenho minhas limitações. Espero que um dia ganhe uma segunda edição, acreditar não custa quase nada!

https://www.capituloz.com.br/post/vencedoras-pr%C3%AAmio-loba-2025

https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/academia-rio-grandense-de-letras-entrega-premios-literarios-de-2025-1.1676440

https://www.imagemdailha.com.br/noticias/cidade/cruz-e-sousa-inspira-noite-de-reconhecimentos-culturais.html

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